Texto de Aurélio Gonçalves Robles

A COLOCAÇÃO DE KARDEC
(MUITO OPORTUNA E INSTRUTIVA)

Lendo o Livro Nem Céu Nem Inferno, que estou ainda lendo a título de análise, encontrei no capítulo 1 da segunda parte a resposta de Allan Kardec, dada a uma médium que lhe fizera uma consulta, pedindo que avaliasse a sua atuação, o seu trabalho e a qualidade das mensagens e informações que estava recebendo do mundo Espiritual. Como achei importantes estas colocações, resolvi transcrevê-las:

Em verdade, procuro o motivo e, confesso-lhe, não encontro nenhum. Vencer sem perigo é triunfar sem glória. A calma lhe voltou ao coração, a satisfação que experimenta quando consola um aflito, são testemunho que não lhe podem deixar dúvidas sobre o bom caminho que encontrou. Continue, pois, a fazer felizes os desgraçados (infelizes) material e moralmente, e todos que a senhora tiver assistido a abençoarão quando tiverem chegado no mundo dos Espíritos. Não se importe com os ingratos. Difunda a luz, difunda o Espiritismo. Continue a meditar a doutrina espírita, aprofundando o estado de todas as partes que a compõem, lendo muitas vezes os pontos capitais, a fim de bem se esclarecer a respeito. E cada vez, descobrirá, relendo, de novo e haurirá temas dignos de reflexões. Mas, faça-o com calma, friamente, sem entusiasmos, guardando-se bem da excitação que, em vez de esclarecer, cega.

Reserva, por fim, um último conselho:

Dizendo-lhe que medite bastante no Espiritismo, não intento que faça dele sua exclusiva ocupação. Ele não deve absorvê-la de tal modo que leve a negligenciar as coisas essenciais da vida terrestre. Deus não quer isso, nos colocou aqui na Terra para vivermos e cumprirmos certos deveres, quer apenas que as coisas sejam consideradas pelo que valem para esse fim. A inferioridade do Espírito está na importância direta que ligue às coisas que constituem a superioridade do mundo material, gastando a maior parte do tempo em futilidades que lhe alimentam as vaidades, mas não o superelevam.

COMENTÁRIOS PESSOAIS

Vencer sem perigo é triunfar sem glória. “Vencer sem perigo é trunfar sem glórias” ... É um pensamento, aparentemente simples! No entanto, podemos deduzir dessa frase uma mensagem de profunda abrangência:

  1. As práticas Espíritas não estão isentas de perigos, muito embora, no contorna-los estejam as oportunidades do crescimento moral de seus praticantes;
  2. Na vida estamos também expostos a perigos contínuos, eis os nossos grandes desafios: vencê-los;
  3. Se não os tivéssemos, a vida não teria sentidos e não teríamos entusiasmos para vive-la;
  4. Não haveria progresso...

A calma lhe voltou ao coração, a satisfação que experimenta quando consola um aflito, são testemunho que não lhe podem deixar dúvidas sobre o bom caminho que encontrou. A mediunidade tem, em muitos casos, um início sofrido e, às vezes suas práticas são custosas e exigem renúncias e muitas abdicações, porém a calma que se experimenta, não é a externa, a ponto de o médium poder festejá-la. Essa paz é a da consciência tranquila, por saber-se estar desempenhando a tarefa que pediu e se propôs desempenhá-la com dignidade. Continue, pois, a fazer felizes os desgraçados (infelizes) material e moralmente, e todos que a senhora tiver assistido a abençoarão quando tiverem chegado no mundo dos Espíritos. Não se importe com os ingratos. Também, aqui se entende um pensamento nas entrelinhas, que jamais o médium deve exercer o seu missionato esperando reconhecimento, mesmo porque há duas questões delicadérrima, primeira é que quando esses reconhecimentos lhe aparecem em pleno desenvolvimento de suas tarefas, necessita ele de uma grandeza moral, que a maioria deles ainda não possui, para manter uma humildade exemplar – Chico Xavier – para não se perder o fruto do que já realizou e, ao mesmo tempo, não comprometer a grande batalha que ainda terá a desempenhar. O próprio Chico dizia que Emmanuel estava sempre a lhe repetir uma advertência: “quando tiveres que percorrer uma estrada de milhares de quilômetros, só dê Graças a Deus quando tiveres percorrido o último passo dela, pois a dez metros do fim dela podes descobrires um precipício onde podes cair”. No entanto, ele é sabedor que tudo o que fizer será reconhecido e a segunda, aí Kardec diz: “quando tiverem chegado no Mundo dos Espíritos”. Não alude a nenhum reconhecimento imediato.

Só as grandes almas reconhecem instantaneamente, as outras carecerão de um amadurecimento, que demore desde alguns dias ou, até alguns séculos, pois o reconhecimento e a gratidão são uma “Lei”. Contudo, o médium precisa estar preocupado com a sua tarefa, independente das circunstâncias, pois, só esta, humildemente executada, lhe assegura os resgates de dívidas contraídas ao longo de encarnações incontáveis e definir a sua evolução.

A propósito: E Jesus, perguntou: “Não foram dez os limpos? E onde estão os nove? Não houve quem voltasse para dar glória a Deus senão este estrangeiro?” Em seguida, disse: levanta-te, pois, a tua fé te salvou” (Lc 17:17-19). Estes três versículos do capítulo 17 do Evangelho de Lucas encerram a narrativa da cura dos dez leprosos na Galileia. – Aí há uma frase final: “a tua fé te salvou” que oportunamente escreverei umas considerações a respeito, dado a profundidade dessa afirmativa.

A respeito estou introduzindo uma narrativa que ouvi de um Companheiro muito caro – Amílcar Del Chiaro, de saudosas memórias – que ilustra a importância da Gratidão.

Ele conviveu alguns anos com o Médico Dr. Lauro Souza Lima, quando esteve internado no “Sanatório de hansenianos Padre Bento” de Guarulhos-SP, pelo qual ele teve muita gratidão pelo aprendizado e benefícios deste recebidos. Mostrou-me ele, muitos anos depois de estar o Sanatório desativado, quando uma circunstância me levou a uma rápida e única visita em sua casa em Guarulhos. Rápida, mas com tempo suficiente para ele me ler uma vasta mensagem que recebera, por inspiração, naquela madrugada do fim de 1984 ou início de 1985, intitulada “Só este Estrangeiro voltou para agradecer?”

Não vou descrever tudo que ouvi, esta introdução já está extensa, mas, em poucas palavras, nela contava ela ser o Doutor Lauro uma reencarnação do Samaritano agradecido que, comovido com a afirmativa de Jesus, tomando sua mão o levanta e diz, “a tua fé te salvou”. Depois de algumas encarnações de refazimento e preparação, começa trabalhar pelos inúmeros leprosos (hansenianos) ingratos que não reconheciam as curas que sempre receberam de Jesus, naquela encarnação, quando as receberam diretamente das mãos do Cristo ou, em outras sucessivas, quando as recebiam via missionários que sempre se encarnaram para ajudá-los a se reerguerem, porém as suas recaídas e a falta de gratidão foram tantas que, até aqueles dias, continuavam sustentando o bacilo de Hansen.

Bem, acredito ter ilustrado a importante Lei da Gratidão. Não que haja um princípio de vingança divina, no entanto, enquanto a gratidão sincera e real não fizer morada no coração do ser, não haverá lugar para a humildade e o orgulho, ocupando o seu lugar, constituirá a baixa imunidade, abrindo, dessa forma, as portas para inúmeras e temíveis moléstias.

Difunda a luz, difunda o Espiritismo. Continue a meditar a doutrina espírita, aprofundando o estado de todas as partes que a compõem, lendo muitas vezes os pontos capitais, a fim de bem se esclarecer a respeito. Notem bem que Kardec já recomendava o estudo completo da Doutrina Espírita, pois caso contrário, ter-se-á um conhecimento parcial e superficial do Espiritismo. O conselho (recomendação) continua válido e, hoje, mais que nunca, caso contrário, sempre equivalerá dizer: conheço alguma, li alguma parte, sim há algo a respeito, mas não li, quando... ouvi dizer. Isto, segundo uma observação do Mestre lionês em O Livro dos Médiuns é comparado com aquele que vai a uma cidade desconhecida e não passa da periferia, um arrabalde muito pobre e mal cuidado, voltando de lá terá ele uma imagem negativa e falsa da cidade que diz ter visitado. A Doutrina Espírita tem que ser estudada a fundo, como vamos ver na continuação.

E cada vez, descobrirá, relendo, de novo e haurirá temas dignos de reflexões. Mas, faça-o com calma, friamente, sem entusiasmos, guardando-se bem da excitação que, em vez de esclarecer, cega. Os temas mais profundos precisam ser lidos e relidos, quantas vezes forem necessárias, até que se esteja senhor do assunto, havendo mesmo, casos que precisaremos dar um tempo para nós mesmo meditarmos alguns dias, conversando com os nossos Mentores Invisíveis. Importante observar que nas releituras descobrimos ensinamentos ocultos nas entrelinhas. E, quanto nessas recomendações da calma, do fazê-lo de forma fria e do não entusiasmo, que em vez de esclarecer, cega. Eu diria, em nada a ansiedade, a afobação e pressa ajudam, muito ao contrário, sempre distorcem o fim, pois, se corre os riscos e, muitas vezes, se cai neles, ou seja, o caso de se ler apenas a introdução de uma questão e achar-se senhor do assunto, nem precisa se dizer dos micos que se paga, por esse preço. Estudar sempre como se estivesse lendo-o pela primeira vez, sem nuca querer adivinhar o final.

Reserva, por fim, um último conselho:

Dizendo-lhe que medite bastante no Espiritismo, não intento que faça dele sua exclusiva ocupação. Ele não deve absorvê-la de tal modo que leve a negligenciar as coisas essenciais da vida terrestre. Deus não quer isso, nos colocou aqui na Terra para vivermos e cumprirmos certos deveres, quer apenas que as coisas sejam consideradas pelo que valem para esse fim. A inferioridade do Espírito está na importância direta que ligue às coisas que constituem a superioridade do mundo material, gastando a maior parte do tempo em futilidades que lhe alimentam as vaidades, mas não o superelevam. Acredito seriam inócuas as palavras que eu acrescentasse tentando comentar tão lúcidos conselhos. Só lembraria os cuidados de darmos às coisas os valores que elas realmente merecem.

Americana, 20 de abril outono de 2021


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